A AL-QEDA é uma organização
fundamentalista islâmica internacional, constituída por células colaborativas e independentes que visariam, supostamente, a reduzir a influência não-islâmica sobre assuntos islâmicos.
São atribuídos à Al Qaeda diversos atentados a alvos civis ou militares na
África, no
Oriente Médio e na
América do Norte, nomeadamente os
ataques de 11 de setembro de
2001, em
Nova Iorque e em
Washington, aos quais o governo norte-americano respondeu lançando a
Guerra ao Terror. Seu fundador, líder e principal colaborador seria
Osama bin Laden. A estrutura organizacional da Al-Qaeda e a ausência de dados precisos sobre seu funcionamento são fatores que dificultam estimativas sobre o número de membros que a compõem e a natureza de sua capacidade bélica.
A existência de tal organização já foi questionada por alguns pesquisadores e documentários, e também por
Bashar al-Assad, presidente da
Síria,embora tais questionamentos não tenham sido adotados pelos grandes meios de comunicação e pela totalidade dos governos ocidentais.
Visão geral
A Comissão Nacional sobre Ataques
Terroristas nos
Estados Unidos (Comissão 9/11) diz que a Al-Qaeda é responsável por um grande número de ataques violentos e de alto nível contra civis, alvos militares e instituições comerciais pelo mundo. O relatório da comissão atribuiu os
ataques de 11 de Setembro de 2001 ao
World Trade Center em
Nova Iorque, ao
Pentágono em
Arlington e ao vôo 93 na
Pensilvânia à Al-Qaeda.
Apesar do grupo alegadamente ter sido responsável direto pelos ataques, vários analistas, como Michael Scheuer, um ex-analista da
CIA (Agência Central de Inteligência estadunidense) sobre terrorismo, acreditam que a Al-Qaeda evoluiu para um movimento
… no qual a Jihad é auto-sustentável, os guerreiros islâmicos lutam contra a América com ou sem a aliança de bin Laden e da Al-Qaeda originária, e no qual o nome traz inspiração para novos ataques internacionais.
As origens do grupo podem ser traçadas a partir da invasão
soviética ao
Afeganistão, na qual vários não-afegãos, lutadores árabes se uniram ao movimento anti-russo formado pelos
Estados Unidos e
Paquistão.
Osama bin Laden, membro de uma abastada e proeminente família árabe-saudita, liderou um grupo informal que se tornou uma grande agência de levantamento de fundos e recrutamento para a causa afegã. Esse grupo canalizou combatentes islâmicos para o conflito, distribuiu dinheiro e forneceu logística e recursos, para as forças de guerra e para os refugiados afegãos.
Depois da retirada soviética do Afeganistão em 1989, vários veteranos da guerra desejaram lutar novamente pelas causas islâmicas. A invasão e ocupação do
Kuwait pelo
Iraque em 1990 levou o governo estado-unidense à decidir enviar suas tropas em coligação para a
Arábia Saudita, com o suposto intuito de expulsar as forças iraquianas daquele país. A Al-Qaeda era fortemente contra o regime de
Saddam Hussein, Saddam era acusado pelos fundamentalistas muçulmanos de ter tornado o Iraque um Estado laico. Bin Laden ofereceu os serviços dos seus combatentes ao trono saudita, mas a presença de forças "infiéis" em território islâmico sagrado - era uma luta entre islâmicos - foi visto por bin Laden como um ato de traição. Então, decidiu opôr-se aos Estados Unidos e aos seus aliados. A Al-Qaeda considerou os Estados Unidos como opressivos contra os
muçulmanos, citando o apoio estado-unidense à
Israel nos conflitos entre
palestinianos e israelitas, a presença militar estado-unidense em vários países islâmicos (particularmente
Arábia Saudita) e posteriormente a invasão e ocupação do
Iraque em 2003.
Osama bin Laden e
Ayman al-Zawahiri são membros seniores do conselho da Al-Qaeda e considera-se que possuem contatos com algumas outras células da organização.
Organização e estrutura
Em comunicados formais, bin Laden tem preferido usar o termo
Frente Internacional pelo Jihad contra os Judeus e Cruzados como nome para o grupo, em vez do termo mais famoso
Al-qaeda.
Embora o uso do nome Al-Qaeda fosse anterior, só em 2001 foi formalmente usado enquanto denominação do grupo, quando o governo estado-unidense decidiu perseguir ou tornar pública a perseguição a bin Laden. Bin Laden em pessoa é provavelmente a melhor fonte para a origem do rótulo Al-Qaeda. Falando em 2001, ele citou:
O nome 'Al-Qaeda' foi estabelecido há muito tempo atrás por conveniência. Abu Ebeida El-Banashiri liderou os campos de treino para os nossos mujahidin contra o terrorismo russo. Nós costumávamos chamar o campo de treino Al-Qaeda
. E o nome ficou.
A inspiração filosófica da Al-Qaeda vem dos escritos de
Sayyid Qutb, um pensador proveniente da
Irmandade Muçulmana, cujos textos inspiraram a maioria dos principais movimentos militantes islâmicos hoje activos no
Médio Oriente. O autor defende uma revolução islâmica armada para a sobreposição de todos os regimes não guiados pela lei islâmica, e reitera a expulsão de milícias e empresas ocidentais de todos os países muçulmanos.
De acordo com afirmações transmitidas pela Al-Qaeda na
internet e em canais de televisão, as últimas metas da Al-Qaeda passam por restabelecer o
Califado do mundo islâmico, e, para isso, trabalham com quaisquer grupos extremistas, organizações ou governos que lhes permitam atingir essa meta. Os fundamentos originais da Al-Qaeda originária são fortemente anti-sionistas. Em
1997, numa entrevista com
Peter Arnett, Osama bin Laden cita a presença estado-unidense no Médio Oriente e o apoio israelita como as principais razões para as acções da sua organização.
A Al-Qaeda acredita que os governos ocidentais e, particularmente, o governo estado-unidense, agem contra os interesses dos muçulmanos. As suas faltas, segundo o grupo, incluem:
- provisão de apoio económico e militar a regimes opressores dos muçulmanos (por exemplo, o suporte estado-unidense a Israel);
- o veto da Organização das Nações Unidas em relação a sanções propostas contra Israel;
- tentativas de influenciar os assuntos de governos e comunidades islâmicas;
- suporte directo, através de armas ou empréstimos, a regimes árabes anti-islâmicos
- presença de tropas em países islâmicos, especialmente na Arábia Saudita;
- a invasão do Iraque em 2003 (independentemente de supostos confrontos entre Saddam e a Al-Qaeda).
Para além dos
ataques de 11 de Setembro de 2001 ao
World Trade Center em
Nova Iorque e ao
Pentágono em
Washington, crê-se que a Al-Qaeda esteve envolvida nos seguintes ataques:
- embaixada americana em Nairobi, Quénia, em 7 de agosto de 1998;
- embaixada americana em Dar es Salaam, Tanzânia, também em 7 de agosto de 1998;
- bombardeiro USS Cole, atracado no Iêmen, em 12 de outubro de 2000;
- ataques ao metrô de Londres, em 7 de julho de 2005.
Pensa-se que o líder militar da Al-Qaeda era
Khalid Shaikh Mohammed, até ter sido detido no
Paquistão em 2003. O líder prévio tinha sido
Mohammed Atef, morto num bombardeio americano no
Afeganistão em finais de 2001.
A cadeia de comando
Apesar da estrutura atual da Al-Qaeda ser desconhecida, as informações adquiridas principalmente do desertor
Jamal al-Fadl deram às autoridades americanas um esboço cru de como o grupo estava organizado. Enquanto a veracidade das informações fornecidas por al-Fadl e a motivação para esta cooperação sejam controversas, as autoridades americanas baseiam muito de seu conhecimento atual sobre a Al-Qaeda em seu testemunho.
Bin Laden foi o
emir da Al-Qaeda (apesar de originalmente este papel ter sido de
Abu Ayoub al-Iraqi), eleito por um
conselho shura, que consiste em membros seniores da Al-Qaeda, que oficiais ocidentais estimam ser cerca de 20 a 30 pessoas. Após sua morte, em maio de 2011, depois de um ataque de comandos dos
SEALS norte-americanos à sua mansão na cidade de
Abbottabad, no
Paquistão, no dia
16 de junho de 2011, em comunicado transmitido por vários sites jihadistas do mundo árabe na
Internet, a organização informou que o médico e braço-direito de bin-Laden,
Ayman al-Zawahiri, passou a ser o novo líder da organização terrorista, como uma maneira de "honrar o legado de bin-Laden".
[4]
- O Comitê Militar é responsável pelo treinamento, aquisição de armas e planos de ataque.
- O Comitê de Negócios e Dinheiro gerencia as operações de negócios. O escritório de viagens fornece passagens aéreas de passaportes falsos. O escritório de folha de pagamentos paga aos membros da Al-Qaeda e o escritório de gerenciamento toma conta de negócios no estrangeiro. De acordo com o Relatório da Comissão US 911, estima-se que a Al-Qaeda necessite de US$ 30.000.000 por ano para conduzir suas operações.
- O Comitê Legislativo revê as leis Islâmicas e decide cursos de ação particulares conforme às leis.
- O Comitê de Estudos Islâmicos/fatwah expede editos religiosos, tais como o editado em 1998, pedindo aos muçulmanos que matem americanos.
- No final da década de 1990, havia um Comitê de Imprensa publicamente conhecido, que administrava o jornal Nashrat al Akhbar (Newscast) e que fazia as relações públicas da organização. Hoje, assume-se que as operações de mídia da organização são conduzidas por setores internos da mesma.
Revoltas políticas ou estruturas organizacionais terroristas: desconhecidas
Alguns especialistas em organizações dizem que a estrutura de rede da al Qaeda, opostamente a
estrutura hierárquica organizacional é sua força primária. A estrutura descentralizada permite à al Qaeda ter uma base distribuída pelo mundo inteiro enquanto mantém um núcleo pequeno. Estima-se que 100.000 militantes islâmicos tenham recebido instruções nos campos de treinamento da al Qaeda desde sua intercepção, embora o grupo retenha somente um pequeno número de militantes sob ordens diretas. Estimativas raramente colocam sua mão-de-obra acima de 20.000 no mundo todo.
Para suas operações mais complexas (como os ataques aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2011), acredita-se que todos os participantes, planejamento e financiamento tenham sido diretamente providos pelo núcleo da organização Al Qaeda. Mas, em muitos atentados ao redor do mundo onde parece haver uma conexão com a Al Qaeda, seu papel preciso tem sido menos fácil de se definir. Ao invés de conduzir essas operações da concepção até a entrega, a Al Qaeda, frequentemente, parece agir como uma rede de suporte internacional financeiro e logístico, canalizando o dinheiro obtido de uma rede de atividades de levantamento de fundos para financiar treinamento, capital e coordenação de grupos radicais locais. Em vários casos, é nesses grupos locais, somente frouxamente afiliados ao núcleo da Al Qaeda, que os ataques são realmente conduzidos.
As
explosões de 2002 em Bali e as explosões subseqüentes no Hotel Marriott em Jacarta em 2003 dão alguma pista da metodologia de descentralizada da al Qaeda: os ataques mostraram uma coordenação e efetividade muito maiores do que deve, historicamente, ter sido esperado de redes regionais de terroristas. Mas investigações policiais e julgamentos posteriores mostraram que, enquanto se acreditava que a Al Qaeda ofereceu
expertise e coordenação, muito do planejamento e do pessoal que conduziu os atentados veio de grupos islâmicos radicais locais.
Sabe-se que a Al Qaeda estabeleceu e estimulou novos grupos para ampliar os interesses de grupos radicais islâmicos em conflitos locais. Na verdade, o Talibã deve ser classificado nessa categoria: as raízes da organização estão nos estudantes radicais dos
madraçais fundados por bin Laden nos campos de refugiados Afegãos na época da ocupação russa.
Tamanho da organização
A Al-Qaeda não tem uma estrutura clara e isto permite o debate sobre quantos membros compõem a organização, se são milhões espalhados por todo o globo ou se são até zero. De acordo com o documentário controverso da
British Broadcasting Corporation,
O Poder dos Pesadelos, a Al-Qaeda é tão fracamente unida que é difícil dizer se existe algo
além de Osama bin Laden e de um pequeno grupo de íntimos associados. A falta de quaisquer números significativos de membros convictos da Al-Qaeda, apesar de um grande número de prisões sob a acusação de terrorismo, é citado no documentário como uma razão para se duvidar se uma entidade
espalhada casa com a descrição da Al-Qaeda de alguma forma. Ainda, a extensão e a natureza da Al-Qaeda permanecem um tópico de discussão.
O próprio nome
Al Qaeda não parece ter sido usado pelo próprio bin Laden para se referir a sua organização até depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Ataques anteriores atribuídos a bin Laden e a Al-Qaeda eram, naquele tempo, reivindicados por organizações sob uma variedade de nomes. Bin Laden mesmo, desde então, tem atribuído o nome Al-Qaeda à base MAK no Paquistão, desde os dias da guerra do Afeganistão. Daniel Benjamin, em
A Era do Terror Sagrado, cita um incidente no começo da década de 1990 onde um documento intitulado
A Fundação, em árabe
Al-Qa'eda, foi encontrado com um associado de Ramzi Youssef.
[5] Fawaz A. Gerges escreve que
Apesar de, em 1987, o xeque Abdullah Azzam, o pai espiritual dos árabes Afegãos, ter plantado as sementes de uma organização trans-nacionalista chamada 'Al Qaeda al-Sulbah' (a Fundação Sólida), a rede de bin Laden veio à luz muito depois, por volta da metade da década de 1990.[6]
Outros líderes atribuídos à Al-Qaeda incluem:
História
Jihad afegã
A Al-Qaeda teve seu embrião na
Maktab al-Khadamat (MAK), uma organização formada por
Mujahidin que lutavam para instalar um estado islâmico durante a
Guerra Soviética do Afeganistão nos anos
1980. A organização foi inicialmente financiada pela
CIA. Osama bin Laden foi um dos fundadores da MAK, juntamente com o militante
palestino Abdullah Yusuf Azzam. O papel da MAK era angariar fundos de tantas fontes quanto possível (incluindo doações de todo o
Oriente Médio), para treinar pessoas de todo o mundo para a guerra de
guerrilha e para transportar os combatentes para o
Afeganistão. A MAK foi custeada em sua maioria com doações de milionários islâmicos, mas também foi abertamente auxiliada pelos governos do
Paquistão e
Arábia Saudita, e indiretamente pelos
Estados Unidos, que direcionou grande parte de seu apoio através do serviço de inteligência paquistanês ISI (sigla para
Inter-Services Intelligence). Durante a segunda metade dos
anos 1980 a MAK era um grupamento relativamente pequeno no Afeganistão, sem combatentes afiliados, apenas concentrando suas atividades no levantamento de fundos, logística, habitação, educação, auxílio a refugiados, recrutamento e financiamento de outros mujahidin.
Depois de uma longa e cara guerra que durou nove anos, a União Soviética retirou suas tropas do Afeganistão em
1989. O governo socialista afegão de
Mohammed Najibullah foi rapidamente destituído em favor de partidários dos mujahidin. Com a falta de acordo dos mujahidin na escolha de uma estrutura governamental, sua anarquia sofreu as consequências de constantes mudanças no controle de territórios problemáticos, sucumbindo sob alianças insurgentes e discórdias entre líderes regionais.
Ultrapassando os limites do Afeganistão
Perto do fim da
Guerra Soviética do Afeganistão, alguns
mujahidin quiseram expandir suas operações para incluir alguns esforços islâmicos em outras partes do mundo
[ Algumas organizações sobrepostas e interralacionadas foram formadas para suportar estas aspirações.
Uma dessas organizações seria eventualmente chamada Al-Qaeda, fundada por Osama bin Laden em 1988. Bin Laden quis estender o conflito para operações não-militares em outras partes do mundo; Azzam, por outro lado, quis manter-se focado em campanhas militares
[Após o assassinato de Azzan em 1989, a
MAK dividiu-se, com um número significante de membros se juntando à organização do bin Laden.
Guerra do Golfo: o início da inimizade com os Estados Unidos
Seguindo a retirada soviética do Afeganistão, Osama bin Laden retorna para a
Arábia Saudita. A invasão iraquiana no
Kuwait em 1990 pôs em risco o comando da
Casa de Saud pelos sauditas, tanto por dissidentes internos quanto pela iminente possibilidade de um futuro expansionismo iraquiano. Face à massiva presença militar iraquiana, os sauditas eram melhor armados, porém defasados em número. Bin Laden ofereceu os serviços de seus mujahidin ao
Rei Fahd para proteger a Arábia Saudita do exército iraquiano. Mas do ponto de vista estratégico, fossem os iraquianos expulsos do Kuwait, a Arábia Saudita seria a única ligação terrestre possível para forças internacionais inibirem uma invasão iraquiana.
Depois de muita deliberação, o rei saudita recusou a oferta de bin Laden e optou por deixar os
Estados Unidos e as tropas aliadas montarem acampamento em seu país. Bin Laden considerou a decisão um ultraje. Ele acreditava que a presença de estrangeiros na
terra das duas mesquitas (
Meca e
Medina) profanaria solo sagrado. Depois de criticar publicamente o governo saudita por acolher o exército estadunidense, bin Laden foi exilado e teve sua cidadania saudita revogada. Logo depois, o movimento que viria a ser conhecido como Al-Qaeda foi formado.
Sudão
Em 1991, a
Frente Nacional Islâmica do
Sudão, um grupo islâmico que tinha ganhado poder recentemente, convidou a Al-Qaeda à deslocar suas operações para dentro de seu país. Por vários anos, a Al-Qaeda gerenciou vários negócios (incluindo negócios de importação/exportação, fazendas, e empresas de construção) no que pode ser considerado um período de consolidação financeira. O grupo foi responsável pela construção de uma grande
auto-estrada de 1.200 km conectando a capital
Cartum ao Porto do Sudão. Mas também gerenciou alguns campos onde aspirantes foram treinados ao uso de armas de fogos e explosivos.
Em 1996,
Osama bin Laden foi convidado a se retirar do Sudão depois que os Estados Unidos impingiu um regime de extrema pressão para que ele sua expulsão, citando possíveis ligações dele com a tentativa de assassinato ao Presidente
Hosni Mubarak do
Egito enquanto sua carreata acontecia em
Adis Abeba. Há uma controvérsia sobre se o Sudão ofereceu entregar bin Laden para os Estados Unidos antes de sua expulsão. O governo sudanense nunca fez realmente esta oferta, mas estava preparado para entregá-lo à Arábia Saudita, que se recusou a recebê-lo.
Osama bin Laden deixou finalmente o Sudão em uma operação bem planejada e executada, acompanhado por cerca de 200 de seus seguidores e suas famílias, que viajaram diretamente para
Jalalabad, Afeganistão, no final de 1996.
Bósnia e Herzegovina
A separação da
Bósnia da multicultural federação da
Iugoslávia e a subseqüente declaração da independência da
Bósnia e Herzegovina em outubro de
1991 abriu um novo conflito étnico e quase religioso no coração da
Europa.
Na
Bósnia e Herzegovina, havia várias etnias diferentes, com uma maioria nominal muçulmana, mas com números significantes de outras etnias, como a
Sérvia, que é
cristã ortodoxa e
Croácia, que é
católico romana, distribuídas pelo seu território. Ela se constituía em um grande porém fraco componente militar da antiga Iugoslávia, e a desintegração iugoslava acabou deixando alguns sérvios e croatas dentro da Bósnia, suportados pelos seus estados adjacentes emergentes, engajados em um conflito triplo contra a porção
Bósnia dominada.
Veteranos árabes radicais da guerra contra os soviéticos no
Afeganistão buscavam na Bósnia uma nova oportunidade de defender o Islã. Cercados em dois frontes e aparentemente abandonados pelo oeste, o regime bósnio ansiava aceitar qualquer ajuda que pudesse conseguir, militar ou financeiramente, incluindo a vinda de várias organizações islâmicas, sendo a Al-Qaeda uma delas.
[9]
Vários associados a Osama bin Laden (mais notadamente, o saudita
Khalid bin Udah bin Muhammad al-Harbi, vulgo Abu Sulaiman al-Makki) se juntaram ao conflito na Bósnia,
[10] mas enquanto a Al-Qaeda deve ter inicialmente visto a Bósnia como uma possível ponte que lhe permitiria a radicalização dos europeus muçulmanos para operações contra outros estados europeus e os Estados Unidos, a
Bósnia deve ter sido secularizada por gerações e seu interesse em lutar estava amplamente limitado a assegurar a sobrevivência do estado nascente.
O
Mujahidin da Bósnia (que compreendia amplamente os veteranos árabes de guerra Afegã e não
necessariamente os membros da Al-Qaeda) eram operados como uma ampla força autônoma dentro da Bósnia central. Enquanto sua bravura no combate inicialmente atraiu um pequeno número de bósnios nativos para que se juntassem a eles, sua brutalidade e o crescente número de atrocidades cometidas contra civis chocaram muitos bósnios nativos e repeliram novos recrutas. Ao mesmo tempo, suas tentativas vigorosas em
islamizar a população local com regras sobre indumentária e comportamentos apropriados foram amplamente repudiadas e desconsideradas. Em seu livro
O Jihad da Al-Qaida na Europa: a ligação Afeganistão-Bósnia,
Evan Kohlmann resume:
"Apesar dos esforços vigorosos para ‘islamizar’ a população muçulmana da Bósnia, os nativos não podiam ser convencidos de abandonar os porcos, o álcool e manifestações públicas de afeto. As mulheres Bósnias persistentemente se recusaram a usar o hijab ou seguir os outros mandamentos para o comportamento feminino, prescritos pelo extremo fundamentalismo islâmico."
A assinatura do
Acordo de Washington, em março de 1994, pôs um fim ao conflito Bósnia-Croácia. Enquanto o
Mujahidin da Bósnia continuou a lutar contra os sérvios, o
Acordo de Paz de Dayton de novembro de 1995 acabou com aquele conflito e fez com que os lutadores estrangeiros debandassem e deixassem o país, ficando a ajuda condicionada a isto. Com o apoio do governo da Bósnia, forças da
OTAN entraram efetivamente em ação para fechar suas bases e deportá-los. A um número limitado de antigos
mujahidin, que tinham ou casado com nativas da Bósnia ou que não puderam achar um país para o qual pudesse ir, foi permitido ficar na Bósnia e eles foram agraciados com a cidadania bósnia. Mas com o fim da guerra na Bósnia, muitos veteranos comprometidos e endurecidos pela batalha já haviam retornado a territórios familiares.
Retorno ao Afeganistão
Após a retirada soviética, o
Afeganistão esteve efectivamente sem governo por sete anos, e sofreu com lutas internas constantes entre os antigos aliados, os vários grupos mujahidin e seus líderes.
Durante toda década de 1990, uma nova força começou a surgir. As origens do
Talibã (literalmente "estudantes") está em crianças afegãs, muitas delas orfãs de guerra e muitas que haviam sido educadas na rede de escolas islâmicas que expandiu rapidamente (os madraçais) tanto em
Kandahar quanto em campos de refugiados na fronteira entre Afeganistão e
Paquistão.
De acordo com o livro bem referenciado de
Ahmad Rashid,
Talibã, cinco líderes do Talibã se formaram em um único madraçal, Darul Uloom Haqqania, Akora Khattak, perto de Peshawar que está situada no Paquistão, mas que era amplamente frequentada por refugiados afegãos. Esta instituição refletia a crença Salafi em seus ensinamentos e muito de seu financiamento veio de doações privadas de árabes ricos, para os quais bin Laden oferecia continuidade. Quatro outras figuras de liderança (incluindo o líder Talibã perseguido Mullah
Mohammed Omar Mujahed) frequentaram um madraçal que possuía fundos similares e influenciaram o homólogo em Kandahar, Afeganistão.
Os laços entre os árabes afegãos e o Talibã eram profundos. Muitos dos mujahidin que mais tarde se juntaram ao Talibã lutaram ao lado do guerrilheiro afegão Mohammad Nabi no grupamento de Mohammadi Harkat i Inqilabi na mesma época da invasão russa. Este grupamento também se beneficiou da lealdade de muitos lutadores árabes afegãos.
Os conflitos internos contínuos entre as várias facções e o a falta de leis que se estabeleceu após a retirada soviética permitiram que o crescente e bem-disciplinado
Talibã expandisse seu controle pelo território afegão, e assim eles estabeleceram um subterritório o qual chamaram
Emirado Islâmico do Afeganistão. Em 1994, conquistaram o centro regional de Kandahar e conseguiram rápidos avanços territoriais logo após, vindo a conquistar a capital
Cabul em setembro de 1996.
Após o Sudão deixar claro, naquele ano, que bin Laden e o seu grupo não era mais bem vindo, o Afeganistão controlado pelo Talibã (com conexões pré-estabelecidas entre os grupos, uma maneira similar de encarar as relações mundiais e amplamente isolado da influência política e militar dos Estados Unidos) garantia uma localização perfeita para o quartel general da al Qaeda.
Cerca de duzentos seguidores de bin Laden e suas famílias partiram de
Khartoum para
Jalalabad por volta de 1996. Logo em seguida a Al-Qaeda gozou da proteção do Talibã e uma certa legitimidade por parte de seu Ministério da Defesa, apesar de somente o Paquistão, a Arábia Saudita e os
Emirados Árabes Unidos reconheceram o Talibã como o legítimo governo do Afeganistão.
Os campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão e na fronteira com o Paquistão podem ter treinado militantes muçulmanos do mundo todo. Apesar da percepção de algumas pessoas, os membros da Al-Qaeda são etnicamente diversos e estão conectados pela sua versão radical do Islã.
Uma rede sempre crescente de apoiadores usufruia desta forma de um refúgio seguro no Afeganistão controlado pelo Talibã, até o grupo ter sido derrotado por uma combinação de forças locais e tropas norte-americanas em
2001. Ainda acredita-se que Osama bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda estejam em áreas onde a população é simpatizante ao Talibã no Afeganistão, ou ainda em tribos na fronteira com o Paquistão.
Início das operações militares contra civis
Em 23 de fevereiro de 1998, Osama bin Laden e
Ayman al-Zawahiri do
Jihad Islâmico do Egito instituíram a
fatwa sobre a bandeira da
Frente Islâmica Mundial pela Jihad contra os judeus e os crusados dizendo que
"matar americanos e seus aliados, civis e militares é um dever individual de todos muçulmano capaz de fazê-lo." Apesar de nenhum dos dois possuírem credenciais islâmicas, educação ou estatura para instituírem uma fatwa de qualquer tipo, isto parece ter sido desconsiderado no entusiasmo do momento. Este também foi o ano do primeiro ataque de grande porte atribuído à Al-Qaeda, o bombardeio à Embaixada dos Estados Unidos em 1998 na
África do Leste, resultando em um total de trezentos mortos. Em 1999, o Jihad Islâmico do Egito uniu-se oficialmente à Al-Qaeda, e al-Zawahiri se tornou um confidente íntimo de bin Laden.
Ataques de 11 de setembro
Após os
ataques de 11 de setembro atribuídos por autoridades à Al-Qaeda, os
Estados Unidos começaram a constituir forças militares e a se preparar para atacar o Afeganistão (cujo governo protegia a organização de bin Laden) como resposta. Nas semanas que precederam a invasão dos norte-americanos, o Talibã ofereceu por duas vezes entregar bin Laden para um país neutro para que fosse julgado, com a condição que os Estados Unidos provassem a culpa de bin Laden nos ataques. Os Estados Unidos, entretanto, se recusaram e logo depois invadiram o
Afeganistão, e, junto com a
Aliança Afegã do Norte, depuseram o governo
Talibã.
Como resultado desta invasão, os campos de treinamento do Talibã foram destruídos e muito da estrutura de operação atribuída à Al-Qaeda foi desmantelada, apesar da forte resistência que permaneceu no país e do fato de seus líderes principais, incluíndo bin Laden, não terem sido capturados. O governo norte-americano agora afirma que dois terços dos principais líderes de toda Al-Qaeda de
2001 estão sob sua custódia (incluindo
Ramzi bin al-Shibh,
Khalid Sheikh Mohammed,
Abu Zubaydah,
Saif al Islam el Masry, e
Abd al-Rahim al-Nashiri) ou mortos (incluindo
Mohammed Atef), apesar de alertar que a organização ainda existe e batalhas entre as forças dos Estados Unidos e o Talibã ainda continuam.
Suposta Ligação com Jovem no Brasil
Em 7 de abril de 2011, um jovem brasileiro chamado
Wellington Menezes de Oliveira, fez um atentado a Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a escola armado com dois revólveres e começou a disparar aleatoriamente contra os alunos presentes, chegando a matar doze, todos menores de idade. Oliveira tentou fugir, mas foi interceptado por policiais, cometendo suicídio. Segundo cartas do atirador, ele teria uma suposta ligação com membros da Al-Qaeda, com os nomes de
Abdul e
Phillip[11][12][13], uma carta de Wellington cita várias referências deixada pelo
Terrorista Mohammed Atta, terrorista do
11 de setembro de 2001
Atividade no Iraque
Osama bin Laden primeiro se interessou pelo
Iraque quando este país invadiu o
Kuwait em 1990 (o que levantou preocupações sobre o secular governo
socialista iraquiano incluir em seu alvo a
Arábia Saudita, pátria de bin Laden e do próprio Islã). Em uma carta enviada ao
Rei Fahd da Arábia Saudita, bin Laden ofereceu mandar um exército de
mujahidin para defender a Arábia Saudita.
[15]Durante a
Guerra do Golfo, os interesses da organização se dividiram entre a rebeldia contra a intervenção das
Nações Unidas na região e o ódio ao governo
secular de
Saddam Hussein, expressões de preocupação pelo sofrimento pelo qual o povo islâmico no Iraque vinha passando.
Bin Laden se referia à Saddam Hussein (e aos Baatistas) como o
mal, um adorador do
demônio ou capeta, em seus discursos e gravou e escreveu pronunciamentos, pedindo ao povo do Iraque que o depusesse.
Durante a
invasão do Iraque de 2003, a Al-Qaeda teve um interesse formal maior na região e dizem que foi a responsável por organizar e ajudar ativamente a resistência local nas forças de coalizão de ocupação e a democracia emergente. Durante as eleições iraquianas em janeiro de
2005 a Al-Qaeda se responsabilizou por nove ataques suicidas em
Bagdá, capital daquele país.
Abu Musab al-Zarqawi, fundador da
Jama'at al-Tawhid wal-Jihad e suposto aliado da Al-Qaeda, se juntou formalmente à Al-Qaeda em
17 de outubro de
2004. A organização começou a adotar o nome de "
Al-Qaeda na Terra entre os dois Rios: Iraque", ao invés do antigo nome
Jama'at al-Tawhid wal-Jihad. Na fusão al-Zarqawi declarou lealdade à
Osama bin Laden.
Papéis do Harmonia
Documentos resgatados da Al-Qaeda tornaram-se públicos recentemente, saindo do banco de dados Harmony e viraram assunto de um estudo publicado pelo Ponto Oeste intitulado
Harmonia e Desarmonia: Explorando as Vulnerabilidades Organizacionais da Al-Qaeda. (ver link nas ligações externas). Estes papéis dão uma visão interessante da história do movimento, sua organização estrutural, as tensões entre os líderes e as lições aprendidas.
Um escritor da Al-Qaeda concluiu que uma das lições aprendidas é como a influência do pensamento secular Baatista distorce a mensagem do
Jihad. Ele aconselha o movimento a não permitir que a mensagem do Jihad seja influenciada pela mensagem Baati iraquiana.
(ver página 79 do documento citado acima).
Atividades do grupo
Incidentes atribuidos à Al-Qaeda
Nota: A Al-Qaeda não se responsabiliza pela maioria das ações descritas abaixo, o que resulta em ambigüidade sobre quantos atentados o grupo realmente cometeu. Após a declaração dos Estados Unidos da Guerra contra o Terrorismo em 2001, o governo norte-americano tem lutado para enfatizar qualquer conexão entre outros grupos terroristas à Al-Qaeda. Alguns preferem chamar as ações de "Al-Qaedistas", ou seja, que não devem ter sido diretamente planejadas pela Al-Qaeda como um quartel militar, mas que foram inspiradas pelos seus pilares e suas estratégias.
Mapa dos ataques mundiais atribuídos à Al-Qaeda.
O primeiro atentado militante que a Al-Qaeda alegadamente realizou, consistiu-se de três bombas em hotéis onde tropas americanas estavam hospedadas em
Aden,
Yemen, em
29 de dezembro de
1992. Dois turistas, um do Yemen e outro da
Áustria morreram neste atentado.
Há protestos aclamados de que as operações da Al-Qaeda foram responsáveis pelo abatimento de um
helicóptero norte-americano e na morte de norte-americanos em serviço na
Somália em
1993. (ver
Batalha de Mogadishu).
Ramzi Yousef, que estava envolvido no atentado de
1993 ao
World Trade Center (apesar de provavelmente não ser um membro da Al-Qaeda naquela época) e
Khalid Sheik Mohammed planejaram a
Operação Bojinka, que visava destruir aeronaves em vôo no meio do
Oceano Pacífico usando explosivos. Um incêndio em um apartamento em
Manila,
Filipinas revelou o plano antes que ele pudesse ser implementado. Youssef foi preso, mas Mohammed escapou à captura até
2003.
A Al-Qaeda é frequentemente citada como suspeita de haver cometido dois atentados na
Arábia Saudita em
1995 e
1996: as bombas colocadas em acampamentos norte-americanos em
Riad em Novembro de
1995, que mataram duas pessoas da
Índia e cinco norte-americanos, e outro em junho de
1996 atentado às Torres Khobar, que mataram pessoal militar americano em
Dhahran, Arábia Saudita. Entretanto, estes atentados são também frequentemente atribuídos ao
Hizbullah.
Acredita-se que a Al-Qaeda conduziu o
Atentado à Embaixadas Norte Americanas de 1998 em agosto de
1998 em
Nairobi,
Quênia, e em
Dar es Salaam,
Tanzânia, matando mais de duzentas pessoas e ferindo mais de cinco mil outras.
Entre dezembro de
1999 até
2000, a Al-Qaeda fez os
Planos de Atentados do Milênio 2000 contra os Estados Unidos e turistas
israelenses que visitavam a
Jordânia para as comemorações do milênio; entretanto, as autoridades jordanianas impediram os atentados planejados e levaram 28 suspeitos à julgamento. Parte desta trama incluiu bombas planejadas ao
Aeroporto Internacional de Los Angeles. Estes planos fracassaram quando o homem-bomba
Ahmed Ressam foi pego na fronteira dos Estados Unidos com o
Canadá com explosivos no porta-mala de seu carro. A Al-Qaeda também planejou atacar os
USS Sullivans (DDG-68) em
31 de janeiro de
2000, mas os esforços não foram bem sucedidos devido ao peso excessivo que, colocado no pequeno barco, iria bombardear o navio.
Apesar do revés com o
USS Sullivans, a Al-Qaeda teve sucesso em explodir uma esquadra americana em outubro de
2000 com o
bombardeiro USS Cole. A polícia
alemã frustrou o esquema de destruir a
Catedral de Notre-Dame de Strasbourg em
Strasbourg,
França, em dezembro de
2000. (ver
A trama para explodir a Catedral de Strasbourg).
O ato mais destrutivo atribuído à Al-Qaeda foi uma série de atentados aos Estados Unidos, os
ataques de 11 de Setembro de 2001.
Vários atentados e tentativas de atentados desde
11 de setembro de
2001 foram atribuídos à Al-Qaeda. O primeiro foi o esquema para atacar a Embaixada de
Paris, que foi descoberto. O segundo diz respeito a uma tentativa de atentado de um homem com um calçado bomba,
Richard Reid, que se auto proclamou um seguidor de Osama bin Laden e quase destruiu o
vôo 63 da
American Airlines.
Outros atentados atribuídos à Al-Qaeda e seus afiliados incluem:
A Al-Qaeda tem ligações fortes com várias outras organizações militantes, incluindo o grupo extremista
indonésio Jemaah Islamiyah. Este grupo foi o responsável pelo
atentado de Bali em outubro de
2002 e aos
atentados de 2005 em Bali.
Apesar de não haver atentados identificados da Al-Qaeda dentro do território dos Estados Unidos desde os
atentados de 11 de setembro de 2001, vários atentados da Al-Qaeda no
Oriente Médio, Extremo Oriente,
África e
Europa causaram casualidades e tumultos extensivos. Na conclusão de vários
atentados a trens urbanos de Madrid em
11 de março de
2004, um jornal de
Londres relatou ter recebido um e-mail de um grupo afiliado à Al-Qaeda, assumindo a responsabilidade e um vídeo assumindo a responsabilidade também foi achado. O senso de oportunidade dos atentados com as eleições espanholas, e também a falta de provas da real identidade dos criminosos levou à dúvidas a respeito da teoria da Al-Qaeda por trás destes atentados.
Também se acredita que a Al-Qaeda esteja envolvida nas
explosões de 7 de julho de 2005 em Londres, uma série de atentados no trânsito urbano em
Londres que mataram 56 pessoas (ver
Mohammad Sidique Khan). Um grupo previamente desconhecido denominado "A Organização Secreta da Al-Qaeda na Europa" fez uma declaração se responsabilizando. Entretanto, a autenticidade desta declaração e a ligação do grupo com a Al-Qaeda não foi identificada de maneira independente. Os suspeitos criminosos não estão definitivamente ligados à Al-Qaeda, apesar do conteúdo de um vídeo feito por um dos homens bomba
Mohammad Sidique Khan antes de sua morte e em seguida enviado à
Al Jazeera que dão fortes credenciais à conexão com a Al-Qaeda. Um grupo aparentemente desconecto conseguiu refazer este atentado mais tarde naquele mês, mas suas bombas falharam em detonar.
Suspeita-se que a Al-Qaeda esteja envolvida com os
atentados de Sharm el-Sheikh em 2005 no
Egito. Em
23 de julho de
2005, uma série de carros bombas mataram cerca de 90 pessoas e feriram mais de 150. O atentado foi a ação terrorista mais violenta na história do
Egito.
Suspeita-se também que a Al-Qaeda seja responsável pelos três atentados simultâneos em
9 de novembro de
2005 em
Amman,
Jordânia que ocorreram em hotéis norte-americanos. As explosões mataram pelo menos 57 e feriram 120 pessoas. A maioria dos feridos e mortos estavam em uma festa de casamento no Hotel Radisson.
Atividades na Internet
No início de sua retirada do Afeganistão, a Al-Qaeda e seus sucessores devem ter migrado em fila para escapar da detenção em uma atmosfera de vigilância internacional crescente. Como resultado, o uso da Internet pela organização ficou mais sofisticado, abrangendo financiamento, recrutamento, contatos, mobilização, publicidade, tanto quanto disseminação da informação, união e compartilhamento. Mais que qualquer outra organização terrorista, a Al-Qaeda elegeu a Web para estes propósitos. Por exemplo,
Abu Musab al-Zarqawi do movimento da Al-Qaeda no
Iraque regularmente solta vídeos curtos glorificando as atividades dos homens bomba suicidas do jihadist. A crescente variedade de conteúdos multimédia inclui clipes de treinamento terrorista, fotografias de vítimas que logo serão assassinadas, testemunhos de homens bomba suicidas e vídeos épicos com altos valores de produção que romanceiam a participação no jihad através de retratos estilizados de mesquitas e emocionantes partituras musicais. Uma página da internet associada à Al-Qaeda, por exemplo, mostrava um vídeo de um homem chamado
Nick Berg sendo decapitado no Iraque. Outros vídeos e fotos de decapitação, incluindo aqueles do sequestro de
Paul Johnson,
Kim Sun-il, e
Daniel Pearl, foram colocados primeiro em páginas jihadist.
Com o surgimento dos terroristas "com raízes locais e inspirados globalmente", especialistas em contra-terrorismo estão sempre estudando como a Al-Qaeda está usando a Internet – através de websites, salas de discussão, fóruns de discussão, mensagens instantâneas, e tudo mais – para inspirar uma rede mundial de apoio. Os homens bomba de 7 de julho de 2005, alguns dos quais estavam bem integrados em suas comunidades locais, são um exemplo de terroristas "globalmente inspirados" e eles usaram noticiadamente a Internet para planejar e coordenar, mas o papel preciso da Internet no processo de radicalização não é completamente compreendido. Um grupo chamado a Organização Secreta da Al-Qaeda na Europa reivindicou a responsabilidade destes atentados Londrinos em uma página militante islamista – outro uso popular da Internet por terroristas buscando publicidade.
A oportunidade de publicidade oferecida pela Internet tem sido particularmente explorada pela Al-Qaeda. Em dezembro de 2004, por exemplo, bin Laden lançou uma mensagem de áudio diretamente em uma página, ao invés de mandar uma cópia para a
al Jazeera como ele havia feito no passado. Alguns analistas especularam que ele fez isto para ter certeza que o vídeo estaria disponível sem edição, sem medo que sua crítica da Arábia Saudita — que era muito mais veemente que o usual em seu discurso, pois durou mais de uma hora — pudesse ser editada pelos editores da al Jazeera preocupados em ofender os emotiva
família real Saudita.
No passado, a
Alneda.com e a
Jehad.net eram talvez os sites mais significantes da Al-Qaeda websites. Alneda foi inicialmente desmontada por americanos, mas os operadores resistiram mudando o site para vários servidores e mudando estrategicamente seu conteúdo. Os EUA estão atualmente tentando extraditar um especialista em IT, Babar Ahmad, do Reino Unido, que é o criador de vários websites de língua inglesa da Al-Qaeda tais como Azzam.com.
[Várias organizações muçulmanas inglesas, tais como a
Associação Muçulmana da Bretanha, se opõem à extradição de Ahmad's.
Finalmente, em uma apresentação para analistas de terrorismo dos EUA em meados de 2005, Dennis Pluchinsky chamou o movimento jihadist de "Web-direcionado," e o ex diretor da CIA, John E. McLaughlin também disse que ele é agora primariamente direcionado pela "ideologia e pela Internet."
Atividades financeiras
As atividades financeiras da Al-Qaeda tem sido a maior preocupação do governo dos EUA após os atentados de 11 de setembro de 2001, que levaram por exemplo à descoberta da evasão de taxas do ex ditador Chileno
Augusto Pinochet, pela qual sua esposa
Lucía Hiriart de Pinochet, foi presa em janeiro de 2006. Também, foi descoberto pelo repórter investigativo
Denis Robert que fundos de Osama bin Laden no
Banco Internacional do Bahrain transitaram através de contas ilegais e não publicadas de "casa limpa"
Clearstream, que foram qualificadas como um "banco dos bancos".